segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Resenha: A Rainha de Tearling

Nota: 4.5/5 estrelas
Título original: The Queen of the Tearling
Autor: Erika Johansen
Série: A Rainha de Tearling, livro 1
Editora: Suma de Letras
Páginas: 352
Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda... ou uma tragédia.
Unindo distopia com fantasia, Erika Johansen nos introduz a um futuro onde a tecnologia foi perdida durante “A Travessia” forçando a sociedade a retornar a uma época medieval monárquica para que pudessem sobreviver, dividindo o território onde desembarcaram em três reinos – Tearling, Cadare e Mortmesne. Kelsea Glynn, nossa protagonista e princesa herdeira de Tearling, passou 19 anos escondida sendo treinada para ser rainha e agora que alcançou a maioridade, precisa lidar com todos os obstáculos que a impedem de assumir seu trono, sejam eles vindos de outros ou de si própria.

Kelsea é uma personagem que conquista por sua simplicidade. Num universo saturado de protagonistas belíssimas que utilizam tal artifício para seus propósitos ou que não se consideram bonitas, mas o são, Kelsea é descrita como comum e acima do peso, características que a afligem durante a narrativa, mas em nada diminuem sua presença de espírito. O plot do livro é inteiramente voltado para as questões políticas ao invés de se perder no romance, como muitas vezes acontece nesse gênero.

Apesar de sua juventude e inexperiência, a personagem é inteligente, extremamente corajosa e sensata nas decisões que toma, almejando merecer verdadeiramente o cargo que lhe foi passado, mesmo que acabe incutindo a fúria de seus inimigos. Seu carisma nos conquista com o virar das páginas, ao vermos sua determinação de oferecer a população um sistema de saúde, cultura e educação a fim de tornar o reino um lugar melhor para seus súditos.

Os personagens secundários da trama se destacam tanto quanto a protagonista, a começar por Clava, o capitão da Guarda da Rainha, um homem quieto que possui diversos segredos, mas que está disposto a lutar por Kelsea até a morte; o misterioso Fetch, um famoso ladrão, que tem um interesse pessoal em Kelsea, mas cujas intenções não foram definidas ainda e por último, a Rainha Vermelha de Mortmesne, cujos poderes são uma ameaça imediata ao reinado de Kelsea, no entanto sua origem desconhecida nos leva a crer que talvez algo lhe tenha acontecido para ter se tornado a pessoa que é hoje.

A Rainha de Tearling funciona como uma boa introdução para o mundo que Erika Johansen criou, onde somos apresentados aos territórios do Novo Mundo, seus governantes e as forças que influenciam cada Reino. A autora faz críticas à Igreja, que no contexto do livro se tornou a única religião praticante e que exerce uma grande influência no governo do país, assim como a digitalização de livros, que levou à queima de seus exemplares físicos e depois da “Travessia” tornaram-se itens praticamente raros em sua existência.

Os únicos pontos que acabaram por não fazer dessa uma leitura cinco estrelas foram os capítulos extremamente longos que às vezes eram unidos por narrativas que me eram desnecessárias, como a de Javel, um guarda do portão do castelo ou do padre Tyler, designado pelo seu superior a servir Kelsea; tais pontos de vista serviam para contextualizar os desdobramentos políticos ocasionados pela protagonista, oferecendo pouco para o desenvolvimento deles. Por ser o primeiro livro, a autora focou bastante em explorar a história de Kelsea e do reino de Tearling, abrindo pouco espaço para que pudéssemos conhecer melhor os outros personagens.

A Rainha de Tearling é o começo do que pode vir a ser uma de minhas trilogias favoritas. Recheada de mistérios, com uma protagonista empoderada e muita magia, a história de Kelsea e seu reinado é viciante, conquistando-nos desde o primeiro instante que a conhecemos. Se você procura por algo diferente e com uma protagonista forte, essa é uma indicação certa.

Comente aqui sobre uma personagem tão determinada quanto Kelsea.
Beijinhos!
 
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Outras opiniões: GOODREADS / SKOOB



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