domingo, 28 de janeiro de 2018

Resenha: Uma Tocha na Escuridão

Nota: 4/5 estrelas
Título original: A Torch against the Night
Autor: Sabaa Tahir
Série: Uma Chama entre as Cinzas, livro 2
Editora: Verus
Páginas: 434
“O segundo livro da história épica e eletrizante sobre liberdade, coragem e esperança. Ambientado em um mundo brutal inspirado na Roma Antiga, "Uma Chama Entre as Cinzas" contou a história de Laia, uma escrava lutando por sua família, e Elias, um soldado lutando pela liberdade. Agora, em "Uma Tocha Na Escuridão", ambos estão em fuga, lutando pela vida. Após os eventos da quarta Eliminatória, os soldados marciais saem à caça de Laia e Elias enquanto eles escapam de Serra e partem numa arriscada jornada pelo coração do Império. Laia está determinada a invadir Kauf, a prisão mais segura e perigosa do Império, para salvar seu irmão, cujo conhecimento do aço sérrico é a chave para o futuro dos Eruditos. E Elias está determinado a ficar ao lado dela - mesmo que isso signifique abrir mão da própria liberdade. Mas forças sombrias, tanto humanas quanto sobrenaturais, estão trabalhando contra eles. Elias e Laia terão de lutar a cada passo do caminho se quiserem derrotar seus inimigos: o sanguinário imperador Marcus, a cruel comandante, o sádico diretor de Kauf e, o mais doloroso de todos, Helene - a ex-melhor amiga de Elias e nova Águia de Sangue do Império. A missão de Helene é terrível, porém clara: encontrar o traidor Elias Veturius e a escrava erudita que o ajudou a escapar... e acabar com os dois. Mas como matar alguém que você ama desesperadamente?”
Essa resenha contém spoilers do livro anterior, Uma Chama entre as Cinzaspor isso, cuidado com as palavras a seguir.

Uma palavra excelente para descrever os acontecimentos desse volume seria brutal. Sabaa Tahir é capaz de criar uma história tão envolvente quanto o tecer de uma teia de aranha. E quando você menos espera acaba por “levar um bote” bem no coração.

Partindo exatamente do ponto onde termina Uma chama entre as cinzas, somos levados pelos territórios do Império junto de Elias e Laia conforme tentam escapar do novo imperador, sua Águia de Sangue e uma inimiga ainda mais traiçoeira, a Comandante. No entanto, as atitudes que ambos tomaram no livro anterior acarretaram em graves consequências para os habitantes do Império, que aos poucos vai se expandindo para os outros povos, fazendo com que a única chance de um futuro melhor dependa do irmão de Laia, Darin.

Onde antes só houve pinceladas a respeito da fantasia criada pela autora, agora tal universo é expandido consideravelmente, assim como executa um papel principal na vida dos personagens. Descobrimos mais sobre o Portador da Noite e suas motivações, e também vemos o quão intrinsecamente interligado ele está com grandes acontecimentos do Império. Conforme percorremos o território Imperial, acabamos por descobrir mais sobre os Tribais e consequentemente sobre a família adotiva de Elias, nos dando uma excelente visão da dinâmica entre esses povos.

Um dos problemas principais desse livro que afetou profundamente minha experiência de leitura foi o modo como a autora conduziu a narrativa. É inegável que as primeiras páginas são recheadas de ação, visto a situação dos protagonistas, todavia todo o propósito que os estava guiando em sua missão acaba sendo somente abordado próximo ao final do livro, fazendo com que diversas partes do meio se tornassem um verdadeiro marasmo.

Apesar de tudo que estava acontecendo na trama, com as perseguições, a corrida até a Kauf e a constante preocupação com seu povo, nesse volume Laia estava muito mais preocupada em explorar seus sentimentos por Elias e Keenan. Fazendo um incansável bate-bola entre os dois que só me fez lembrar América, de A Seleção (que esgotou minha paciência em seu livro). Por mais que Laia continue uma personagem forte, sua presença acabou sendo ofuscada por seus interesses amorosos.

Elias me surpreendeu e muito com toda a perseverança que demonstrou com os obstáculos que surgiam em seu trajeto, mas me doía o coração ver o quão emocionalmente destruído ele ficava com todas as difíceis decisões que precisava tomar. Foi um plot twist o caminho que a autora escolheu para o personagem, o que me deixa extremamente curiosa a respeito de como tal desdobramento se dará no próximo volume, que tem total relação com seu título (Reaper at the Gates).

Agora, aquela que abrilhantou toda essa história foi uma personagem que dividiu minha opinião no primeiro volume, Helene Aquilla. Presa num conflito moral entre sua lealdade para/com o Império e sua amizade com Elias, o preço que paga por suas escolhas é alto, causando diversos conflitos internos a respeito do que deve fazer com o quer fazer. Seus capítulos foram os melhores, mesmo que os mais dolorosos, mostrando-nos que às vezes podemos aguentar muito mais do que achamos possível e ainda sairmos mais fortes do que antes.

Sua narrativa acaba por nos inserir mais na politicagem Imperial, onde absolutamente nada é o que parece, traições e reviravoltas são uma ocorrência constante e confiança é a última coisa que qualquer um poderia encontrar. A autora realmente soube utilizar seus talentos a fim de poder chocar ao máximo o leitor com tantas revelações e novas linhas narrativas, fazendo com que a leitura fosse viciante, apesar de seus pontos negativos.

É inegável que Uma tocha na escuridão é uma sequência de peso na saga Uma chama entre as cinzas, mantendo o ritmo acelerado do primeiro livro enquanto faz revelações bombásticas, nos deixando boquiabertos com os caminhos que a autora escolheu tomar. Definitivamente, essa é uma série pela qual vale a pena acompanhar.

Comente aqui um livro que lhe deixou boquiaberto com suas revelações.

Beijinhos!

Onde achar: AMAZON / CULTURA / SARAIVA / SUBMARINO
Outras opiniões: GOODREADS / SKOOB


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