sábado, 20 de outubro de 2018

Resenha: To Kill a Kingdom

Nota: 4.5/5 estrelas
Autor: Alexandra Christo
Editora: Feiwel & Friends
Páginas: 352
A princesa Lira é da realeza sirena e a mais letal de todas. Com o coração de 17 príncipes em sua coleção, ela é reverenciada através do oceano, até que uma virada do destino a força a matar uma de sua espécie. Para punir sua filha, a Rainha do Mar transforma Lira na única coisa que eles mais desprezam – uma humana. Roubada de sua música, Lira tem até o solstício de inverno para entregar o coração do Príncipe Elian à Rainha do Mar ou continuará uma humana para sempre.
O oceano é o único lugar que o príncipe Elian chama de casa, apesar de ser herdeiro do mais poderoso reino do mundo. Caçar sirenas é mais do que um hobby desagradável – é o seu chamado. Quando ele salva uma mulher de se afogar no oceano, ela é mais do que aparenta ser. Ela promete ajudá-lo a encontrar a chave para destruir de vez toda a raça sirena – Mas pode ele confiar nela? E mais quantos acordos terá Elian de barganhar para eliminar o maior inimigo da raça humana?
Releituras são sempre muito divertidas de ler. Quando bem exploradas por seus autores, podem nos encantar e nos dar uma nova perspectiva de algo, que julgávamos não poder ficar melhor. E como ficamos satisfeitos ao nos provarmos errados! To Kill a Kingdom acaba de entrar nessa categoria, como a fantasia YA dark que você adoraria ter na sua estante.

Alexandra Christo cria um mundo rico em detalhes e cores, inspirando-se vagamente no conto de fadas “A pequena sereia”, assim como no conto de Midas, mas dando um toque completamente original e transformando a história numa aventura dark, brutal e sangrenta, que te prende a narrativa logo na primeira página. A construção de mundo é impecável e a mitologia criada por ela a respeito das sirenas é interessante e bem explicada, sendo que tais criaturas se diferenciam das sereias, mas ambas respondem à Rainha do Mar.

Acompanhamos a história por um ponto de vista duplo, intercalando a narrativa dos protagonistas. Lira é uma princesa sirena, filha da Rainha do Mar, e temida por todos como a "Ruína dos Príncipes", por conta de todos os corações que (literalmente) arrancou. No entanto, após desobedecer a mãe, sua punição é ser transformada em humana e presentear à mãe o coração do caçador de sirenas.

Elian é o príncipe herdeiro do trono de Midas, mas contrária a vontade de seus pais, sua vida e seu coração respondem ao mar. Capitão do Saad, ele e sua tripulação navegam através dos mares caçando sirenas, e acabam resgatando Lira, uma garota misteriosa e geniosa que parece ter a chave para destruir a raça sirena.

Ambos são os anti-herois dessa história, cada qual com suas mãos sujas de sangue, mas que possuem uma qualidade que os redime. Os dois foram criados com diversas expectativas e transformados em quem são hoje, mas durante a narrativa, observamos eles tentarem encontrar a si mesmos e trilharem o próprio caminho, sem as amarras que suas respectivas sociedades depositaram em seus ombros.

O romance entre Lira e Elian é desenvolvido durante todo o livro e vai crescendo de maneira gradual, pois um é o grande inimigo do outro. Conforme eles estabelecem uma amizade calcada na confiança, camaradagem, muitas ameaças de morte e acima de tudo, no sarcasmo, eles começam a expor seus sonhos e medos, e percebem que por mais diferentes que sejam, possuem muito em comum.

Os personagens secundários são únicos e pessoas chave que influenciam no amadurecimento dos protagonistas. A tripulação do Saad é um grupo rico de personalidades distintas, cuja lealdade para/com seu capitão não demonstra limites, nos mostrando uma verdadeira família de pessoas que se escolheram, e que principalmente, confiam nas decisões de Elian.

Enquanto Kahlia, a prima de Lira, é o elo que ela possui com suas emoções, algo detestável para sua mãe, que vê qualquer tipo de emoção como uma fraqueza. Com referências à Ursula de “A Pequena Sereia”, a Rainha do mar elevou o patamar de vilã a um novo nível, onde sua frieza e crueldade desconhecia escrúpulos e sua sede de poder movia todas suas decisões, até quando se tratava da própria filha.

A única reclamação a respeito de toda a obra é relativa ao seu final. Apesar das incríveis cenas de ação, referentes à última batalha, certos questionamentos, e especialmente, impedimentos para certo personagem acabaram sendo resolvidos fora da narrativa, nos dando uma resolução um tanto quanto simples e rápida, para algo que causava tanto desconforto.

No todo, To Kill a Kingdom é uma excelente releitura, que não perde sua originalidade para o conto e adiciona sua própria marca, nos dando uma leitura única e viciante.

Beijinhos!

Onde achar: AMAZON / SARAIVA
Outras opiniões: GOODREADS / SKOOB

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