Nota: 4.5/5 estrelas
Autor: Alexandra Christo
Editora: Feiwel & Friends
Páginas: 352
A princesa Lira é da
realeza sirena e a mais letal de todas. Com o coração de 17 príncipes em sua
coleção, ela é reverenciada através do oceano, até que uma virada do destino a
força a matar uma de sua espécie. Para punir sua filha, a Rainha do Mar
transforma Lira na única coisa que eles mais desprezam – uma humana. Roubada de
sua música, Lira tem até o solstício de inverno para entregar o coração do Príncipe
Elian à Rainha do Mar ou continuará uma humana para sempre.
O oceano é o único
lugar que o príncipe Elian chama de casa, apesar de ser herdeiro do mais
poderoso reino do mundo. Caçar sirenas é mais do que um hobby desagradável – é
o seu chamado. Quando ele salva uma mulher de se afogar no oceano, ela é mais
do que aparenta ser. Ela promete ajudá-lo a encontrar a chave para destruir de
vez toda a raça sirena – Mas pode ele confiar nela? E mais quantos acordos terá
Elian de barganhar para eliminar o maior inimigo da raça humana?
Releituras são sempre muito divertidas de ler. Quando bem
exploradas por seus autores, podem nos encantar e nos dar uma nova perspectiva
de algo, que julgávamos não poder ficar melhor. E como ficamos satisfeitos ao
nos provarmos errados! To Kill a Kingdom acaba de entrar nessa categoria,
como a fantasia YA dark que você adoraria ter na sua estante.
Alexandra Christo cria um mundo rico em detalhes e cores,
inspirando-se vagamente no conto de fadas “A pequena sereia”, assim como no
conto de Midas, mas dando um toque completamente original e transformando a
história numa aventura dark, brutal e sangrenta, que te prende a narrativa logo
na primeira página. A construção de mundo é impecável e a mitologia criada por
ela a respeito das sirenas é interessante e bem explicada, sendo que tais
criaturas se diferenciam das sereias, mas ambas respondem à Rainha do Mar.
Acompanhamos a história por um ponto de vista duplo,
intercalando a narrativa dos protagonistas. Lira é uma princesa sirena, filha
da Rainha do Mar, e temida por todos como a "Ruína dos Príncipes",
por conta de todos os corações que (literalmente) arrancou. No entanto, após
desobedecer a mãe, sua punição é ser transformada em humana e presentear à mãe
o coração do caçador de sirenas.
Elian é o príncipe herdeiro do trono de Midas, mas
contrária a vontade de seus pais, sua vida e seu coração respondem ao mar.
Capitão do Saad, ele e sua tripulação navegam através dos mares caçando
sirenas, e acabam resgatando Lira, uma garota misteriosa e geniosa que parece
ter a chave para destruir a raça sirena.
Ambos são os anti-herois dessa história, cada qual com
suas mãos sujas de sangue, mas que possuem uma qualidade que os redime. Os dois
foram criados com diversas expectativas e transformados em quem são hoje, mas
durante a narrativa, observamos eles tentarem encontrar a si mesmos e trilharem
o próprio caminho, sem as amarras que suas respectivas sociedades depositaram
em seus ombros.
O romance entre Lira e Elian é desenvolvido durante todo
o livro e vai crescendo de maneira gradual, pois um é o grande inimigo do
outro. Conforme eles estabelecem uma amizade calcada na confiança, camaradagem,
muitas ameaças de morte e acima de tudo, no sarcasmo, eles começam a expor seus
sonhos e medos, e percebem que por mais diferentes que sejam, possuem muito em
comum.
Os personagens secundários são únicos e pessoas chave que
influenciam no amadurecimento dos protagonistas. A tripulação do Saad é um
grupo rico de personalidades distintas, cuja lealdade para/com seu capitão não
demonstra limites, nos mostrando uma verdadeira família de pessoas que se
escolheram, e que principalmente, confiam nas decisões de Elian.
Enquanto Kahlia, a prima de Lira, é o elo que ela possui
com suas emoções, algo detestável para sua mãe, que vê qualquer tipo de emoção
como uma fraqueza. Com referências à Ursula de “A Pequena Sereia”, a Rainha do
mar elevou o patamar de vilã a um novo nível, onde sua frieza e crueldade
desconhecia escrúpulos e sua sede de poder movia todas suas decisões, até
quando se tratava da própria filha.
A única reclamação a respeito de toda a obra é relativa
ao seu final. Apesar das incríveis cenas de ação, referentes à última batalha,
certos questionamentos, e especialmente, impedimentos para certo personagem
acabaram sendo resolvidos fora da narrativa, nos dando uma resolução um tanto
quanto simples e rápida, para algo que causava tanto desconforto.
No todo, To Kill a Kingdom é uma excelente releitura,
que não perde sua originalidade para o conto e adiciona sua própria marca, nos
dando uma leitura única e viciante.
Beijinhos!




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