Nota: 5/5 estrelas favoritado
Autor: Amie Kaufman & Jay Kristoff
Série: The Illuminae Files, livro 1
Editora: Knopf Books for Young Readers
Páginas: 602
De manhã, Kady pensou
que terminar seu namoro com Ezra era a coisa mais difícil que teria de fazer.
De tarde, seu planeta foi invadido.
O ano é 2575, e duas
megacorporações rivais estão guerreando por um planeta que não é nada mais do
que um pontinho coberto de gelo localizado na beirada do universo. Que pena que
ninguém pensou em avisar as pessoas que vivem nele. Com fogo inimigo caindo sobre
eles, Kady e Ezra – que mal estão se falando – são forçados a lutar por um
caminho até uma frota evacuadora, com um navio de guerra inimigo os
perseguindo.
Mas os problemas
deles só estão começando. Uma praga mortal está à solta e sofrendo mutações, com
resultados terríveis; a inteligência artificial da frota, que os deveria estar
protegendo, pode na realidade ser inimigo deles; e ninguém no comando está
dizendo o que de fato está acontecendo. Conforme Kady hackeia um emaranhado de
dados para descobrir a verdade, está claro que somente uma pessoa pode ajudá-la
a expor tudo: o ex-namorado com quem ela jurou nunca mais falar de novo.
*Tradução pessoal
Amie Kaufman e Jay Kristoff foram tão geniais na maneira
como escolheram contar essa história, que se tivesse sido feita de outro jeito,
não teria funcionado de modo tão perfeito. A narrativa se dá através de diversos
tipos de documentos hackeados: e-mails, relatórios médicos, entrevistas, ilustrações,
mensagens instantâneas e outras formas variadas de arquivos digitais, onde
ficamos sabendo sobre o ataque da Beitech à colônia mineradora Kerenza. Logo,
tudo que lemos são fatos que já ocorreram e conforme acompanhamos esses
documentos, vamos vendo como tudo se deu.
Abordando diversos pontos de vista a fim de nos mostrar
tudo que está acontecendo nas diferentes naves, não há como ressaltar e admirar
o protagonismo de Kady. Tida como uma hacker brilhante, esse é somente um dos
traços definidores da personagem, que demonstra uma fibra e força interior colossais
diante de tantas adversidades que cruzam seu caminho. Dona de um gênio difícil
e um grande coração, Kady brilha como uma das principais narradoras,
demonstrando uma inteligência e esperteza acima da média, e ainda assim, nos
mostrando todos seus medos e incertezas conforme tenta salvar os outros
sobreviventes, fazendo dela uma das melhores e mais badasses personagens da
literatura.
Por outro lado, complementando a narrativa de Kady, temos
seu ex-namorado, que é um grande oposto dela e faz mais a vertente do garoto
fofo brincalhão, que se utiliza do humor em situações críticas. A bordo da
Alexander, Ezra se une aos militares e tenta ajudar da maneira que pode,
enquanto tenta entender tudo que está acontecendo em sua nave. Assim,
acompanhamos suas interações com os companheiros de seu esquadrão e sua
reaproximação de Kady, que por estar em outra nave, se dá através de diversas
conversas de chat, que unem muito sarcasmo e espirituosidade.
E outro personagem que não poderia ser deixado de fora é AIDAN,
a inteligência artificial que rege a nave Alexander e que aos poucos passa a
enlouquecer. É curioso, e por vezes assustador, observar as partes narradas por
ele e sua contínua “queda mental” de como as coisas deveriam ser resolvidas, e
depois seu subsequente interesse e interação com Kady, que acaba nos
proporcionando diálogos divertidíssimos.
O romance entre Kady e Ezra é trabalhado de maneira
lenta, afinal eles estavam brigados quando seu mundo foi “destruído”, e aos
poucos cada um vai confiando cada vez mais no outro, expondo seus sentimentos e
compartilhando as informações que vão descobrindo. Isso faz com que torçamos
ainda mais pelo casal e fiquemos cada vez mais aflitos conforme a história vai
progredindo e os plot twists tornam as situações ainda mais desesperadoras. E
meu Deus, que plot twists! Coisas que partem o coração e roubam o fôlego e que
te incitam a continuar lendo até o final.
Por se tratar de uma ficção científica, a linguagem e os
termos utilizados durante todo o livro são bem característicos do gênero, que
aliados ao fato de estarem em outro idioma, fazem dessa uma leitura densa e um
tanto difícil para aqueles que não estão acostumados ou que nunca leram nada
desse tipo. Confesso que mesmo compreendendo bem o inglês, o fato que mais
contribuiu e me ajudou durante essa leitura foram todos os filmes do gênero
sci-fi (Star Wars, Star Trek, Enigma do Horizonte, etc) que assisti diversas
vezes durante a vida (e claro, que um dicionário é sempre muito bem-vindo).
Illuminae é aquela leitura que une tudo que qualquer
pessoa poderia querer num livro: narrativa envolvente, história complexa e
viciante, personagens incríveis, diversos plots e um final arrasador que te
deixa coçando para pegar o próximo volume.
Beijinhos!




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