quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Resenha: Todos, nenhum: simplesmente humano

Nota: 5/5
Titulo original: Symptoms of Being Human
Autor: Jeff Garvin
Tradutor: Guilherme Miranda
Editora: Plataforma 21
Páginas: 400
“A primeira coisa que você vai querer saber sobre mim é: sou menino ou menina?”
Riley Cavanaugh é um ser humano com muitas características: perspicaz, valente, rebelde e… gênero fluido. Em alguns dias, se identifica mais como um menino, em outros, mais como uma menina. Em outros, ainda, como um pouco dos dois. Mas o fato é que quase ninguém sabe disso.
Depois de sofrer bullying e viver experiências frustrantes em uma escola católica, Riley tem a oportunidade de recomeçar em um novo colégio. Assim, para evitar olhares curiosos na nova escola, Riley tenta se vestir da forma mais andrógina possível. Porém, logo de cara recebe o rótulo de aquilo.
Quando está prestes a explodir de angústia, decide criar um blog. Dessa forma, Riley dá vazão a tudo que tem reprimido sob o pseudônimo Alix.

Numa narrativa em que o isolamento é palpável a cada cena, Jeff Garvin traça um poderoso retrato da juventude contemporânea. Somos convidados a viver a trajetória de Riley e entender o quê, afinal, significa ser humano.
‘Todos, nenhum: simplesmente humano’ foi um livro que me pegou pela mão e só me deixou ir quando havia acabado. Ironicamente, foi nesse momento que eu mais queria que ele ficasse, pois, livros bons assim não queremos que cheguem ao fim nunca.

Primeiramente, o livro fala sobre Gênero Fluido, que para quem não sabe o que é, são pessoas que não pertencem exclusivamente a um único gênero. Às vezes se identificam como masculino, outras vezes como feminino, e outras, ainda, como uma combinação de ambos (definição que tirei do próprio livro, que vem com um ‘Saiba mais’ no final dele, com várias terminologias muito interessantes, vale ressaltar)

Como se ser gênero fluido já não deixasse a vida complicada na sociedade em que vivemos, Riley ainda tem que encarar o fato de seu pai ser um político da bancada conservadora. Já viu o problema aí certo? Vamos somar mais aos acontecimentos desagradáveis, uma grande ansiedade e o fato de ninguém saber que Riley é gênero fluido. Assim, vemos como Riley tem que lidar com as coisas ao seu redor e o preconceito alheio.

Uma coisa que me marcou muito nesse livro e quefoi o grande ‘BUM’, é o fato de eu não conseguir saber, pela leitura, qual é o sexo de nascimento de Riley, ressaltando ainda mais o cuidado do autor e do tradutor nas falas dos pais ou até mesmo na postura deles principalmente, de não nos mostrar isso. Ainda mais com a língua portuguesa que marca até o gênero das palavras, a equipe editorial realizou um trabalho incrível na revisão e tradução, para que o sentido das coisas não se perdesse, só lendo para compreender melhor, porém já te garanto um trabalho formidável por parte deles.

Afinal, o que muda na história nós sabermos o sexo de nascença de Riley, ele não se identifica como ele toda hora, pois é gênero fluido, então o cuidado do autor em pensar nisso realmente deve ser aplaudido de pé, ainda mais se levarmos em conta que é seu primeiro livro. Parabéns Jeff Garvin ^-^.

Agora sobre Riley, devo dizer que foi bom me apegar a alguém que tem sensibilidade e empatia. Sim, muita empatia, alguém que está sofrendo, mas mesmo assim está cuidando dos outros, está cuidando de si e tentando ser uma pessoa melhor.

‘Todos, nenhum: simplesmente humano’ sem dúvidas é um livro que vai te fazer refletir mil coisas na sua vida, pois ele o fez comigo. É uma leitura fácil, é didático e instrutivo, mas com personagens cativantes e divertidos, nos apresentando de várias formas possíveis um mundo mais plural, mas sem deixar de fora uma realidade sofrida que a sociedade impõe aqueles que não seguem seus padrões.

Não posso falar muito mais para não quero entregar mais nada, porém é um YA fantástico, com uma temática absurda e uma história doce. Abram seus corações e deem uma chance.

Comente aqui um livro que você daria a todos do mundo para aumentar a diversidade.


XOXO.

Onde achar: AMAZON / CULTURA / SARAIVA / SUBMARINO  
Outras opiniões: GOODREADS / SKOOB


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