Nota:
5/5 estrelas favoritado
Título original: The hate you give
Autor:
Angie Thomas
Editora:
Galera Record
Páginas:
378
Starr aprendeu com os pais, ainda
muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são
parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça
essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De
repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão
explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o
dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da
aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas
gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa
decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de
um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a
coisa certa.
Esse
é um livro que todos deveriam ler, não só pela bela escrita da autora, mas pela
mensagem poderosa que passa e pela representatividade que ele traz. Tratando
sobre racismo, preconceito, abuso policial e o movimento #BlackLivesMatter,
Angie Thomas nos educa de maneira simples e direta, assim como nos mostra o
poder que nossas vozes possuem.
Starr
é uma das melhores e mais fortes protagonistas que já conheci. Inteligente,
gentil e dedicada, seu desenvolvimento e amadurecimento são notáveis durante o
decorrer do livro, angariando a simpatia do leitor conforme a acompanhamos em
seus dilemas. Ela se encontra numa situação conflitante onde seus dois
"mundos" começam a entrar em colapso. Por um lado, tem sua vivência
no colégio particular, sendo uma das poucas alunas negras, onde suas atitudes
são amenas e restritas afim de não dar nenhuma razão a quem poderia julgá-la
facilmente. Por outro lado, existe Garden Heights, que mesmo com suas gangues e
conflitos, é um lugar onde muitas pessoas de bem moram, onde está suas raízes e
costumes, o lugar onde pode ser ela mesma.
E
não posso deixar de falar sobre sua família. O convívio com seus pais e irmãos,
foi um dos mais encorajadores e realistas que vi. Os momentos que partilhava
com seu pai, Maverick foram de extrema importância na jornada de crescimento de
Starr, e através dele aprendemos muito sobre a cultura negra e certas
ideologias. Lisa, sua mãe, é a cola que une a família, o coração de todos. Seu
relacionamento com Maverick é lindo e forte, aguentando todos os problemas nas
vidas dos filhos e deles próprios. Seven, o irmão mais velho, é o que dá
segurança e apoio à Starr, e o pequeno Sekani é o mais jovem e ingênuo,
inocente a tudo que está acontecendo. Tio Carlos também tem um papel muito
importante, sendo aquele que sempre esteve presente na vida de Starr.
E
os personagens secundários não só servem como um pano de fundo necessário a
história, mas cada um possui seu protagonismo na narrativa, acrescentando e
fortalecendo a protagonista. Chris, que é um bobo apaixonado pela Starr, e que
passa por certos conflitos em seu relacionamento; Maya e Hailey, suas amigas da
escola; e Kenya e DeVante, seus amigos do bairro.
Um
livro que conquista pela simplicidade de seu texto e o poder por trás de suas
palavras, com a realidade nua e crua exposta que milhares de jovens negros têm
que lidar diariamente. O julgamento do policial e todas as repercussões sobre o
caso vão nos deixando cada vez mais inquietos, porque é real e nos faz pensar e
compreender melhor a situação. É pesado e doloroso em alguns momentos, assim
como é leve, divertido e engraçado em outros.
Creio
que o que mais importa num livro desses é que ele nos permita a compaixão e
empatia necessária para nos colocarmos no lugar da protagonista e compreender
suas circunstâncias e escolhas. O ódio que você semeia é
definitivamente uma leitura obrigatória e necessária a todos.
Beijinhos!




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